O INJC comemora o Dia do Nutricionista

O INJC comemora o Dia do Nutricionista

No dia 31 de agosto comemoramos o Dia do Nutricionista. Além de um dia de celebração e valorização, essa data também impõe uma necessidade de reflexão: quais os novos desafios que se colocam para esse profissional no contexto atual? Compartilhamos as impressões do professor Paulo Cesar P. de Castro Junior, docente do Departamento de Nutrição Social Aplicada em relação a estas questões.

No início desse ano, em relatório publicado pela revista científica The Lancet, especialistas afirmaram que estamos vivenciando uma Sindemia Global, caracterizada pela existência e interação de três pandemias: desnutrição, obesidade e mudanças climáticas. Essas pandemias compartilham processos de determinação semelhantes, perpassando interesses comerciais que orientam o modelo hegemônico do sistema agroalimentar e inércia política no seu combate.

No Brasil, o cenário não é diferente. As últimas pesquisas nacionais têm apontado para um crescimento contínuo de sobrepeso e obesidade nas diferentes faixas etárias, de gênero e de classe social. Ao mesmo tempo, vivenciamos um aumento da extrema pobreza, o que torna iminente a volta do país ao mapa da fome. E no âmbito das questões ambientais, temos acompanhado: expansão das áreas de monoculturas sobre as áreas de floresta, grande flexibilização do uso de agrotóxicos (foram liberados 262 agrotóxicos no primeiro semestre de 2019), além do registros dessas substâncias na rede de abastecimento de água no país.

O nutricionista pode ser enxergado assim como um ator chave no enfrentamento desse fenômeno global, ao pautar sua atuação profissional na defesa do direito à saúde, do direito humano à alimentação adequada e da segurança alimentar e nutricional. Seja qual for sua área de atuação, é imprescindível que este paute sua conduta na perspectiva da Segurança Alimentar e Nutricional, sendo essa vista como a realização do direito de todos ao acesso regular e permanente a alimentos de qualidade, em quantidade suficiente, sem comprometer o acesso a outras necessidades essenciais, tendo como base práticas alimentares promotoras da saúde que respeitem a diversidade cultural e sejam ambiental, cultural, econômica e socialmente sustentáveis.

Não podemos perder de vista que, desde 2010, com a promulgação da Emenda Constitucional 64, a alimentação é um direito social previsto na Constituição Federal Brasileira. E isso implica na responsabilidade do Estado em efetivar políticas públicas que viabilizem o Direito Humano à Alimentação Adequada.

A atuação do nutricionista, respeitando os princípios fundamentais da profissão, conforme no nosso Código de Ética e de Conduta de 2018, deve auxiliar na construção de um sistema alimentar estabelecido em relações econômicas e sociais a partir dos parâmetros da ética, da justiça, da equidade e da soberania. Assim, o dia 31 de agosto, além de ser um dia de celebração, com o atual cenário colocado, também é uma data em que devemos reafirmar nosso compromisso ético e social, dado o importante papel do nutricionista na construção de uma sociedade mais justa e menos desigual.

 

Paulo Cesar P. de Castro Junior

Docente do Departamento de Nutrição Social Aplicada

Redação e Edição: Comunicação e mídias. INJC