O INJC na Defesa da Educação

O INJC na Defesa da Educação

O INJC aderiu significativamente à Greve Nacional da Educação que aconteceu em diversas cidades do país o passado 15 de maio. Na cidade do Rio de Janeiro, as atividades se concentraram no centro da cidade, gerando encontros entre estudantes, funcionários, técnicos, docentes e a população geral mobilizada. Essas atividades forma planejadas, conjuntamente, por trabalhadores da educação, estudantes e organizações (ADUFRJ, ADUNIRIO, ANDES-SN, REDE EMANCIPA RJ) sensibilizados a partir dos cortes (“contingenciamentos”) orçamentários anunciados para o Ministério de Educação (MEC) conforme o Decreto 9.741 do dia 29 de março de 2019.

Estes cortes afetam de forma direta os recursos disponíveis pelas universidades federais que terão sérios problemas para garantir o seu funcionamento normal já que, este tipo de verbas, referem aos fundos necessários para pagar serviços básicos como energia, segurança dos campi, serviço de limpeza e alimentação, compra de equipamentos e insumos, além da manutenção de bolsas estudantis e obras de melhoria. Desta maneira, o valor dos cortes representa um valor irrisório para as arcas federais, mas é fundamental para que as principais instituições de ensino e pesquisa do país possam funcionarem e cumprir seu papel na formação e redistribuição de renda dos cidadãos.

As atividades do INJC começaram 10 horas na Praça XV, com stands das diferentes ações de extensão, pesquisa e ensino desenvolvidas pelo instituto, além de uma roda de conversa com a população. As tendas do INJC, com atividades gastronômicas e relacionadas à nutrição e à alimentação, reuniram aproximadamente mais de 100 participantes, tendo fluxo continuo ao longo da jornada apesar do tempo chuvoso.

Entre estas atividades, o Projeto de Extensão Memorial Josué de Castro exibiu banners apresentados por alunas bolsistas e voluntárias que tiveram a oportunidade de interagir com o público visitante. Um dos banners descrevia as atividades e os fins do INJC, com a oferta de 2 cursos de Graduação, programas de Pós-graduação, pesquisa e extensão. O banner despertou o interesse, em especial, de jovens em fase de definição de carreira/profissão e, do público em geral, curioso em conhecer um pouco mais as atribuições do nutricionista e do gastrônomo. O segundo banner exibia o mapa da alimentação, adaptado do célebre livro “Geografia da Fome”, de autoria de Josué de Castro, patrono do INJC, no qual se ilustram os hábitos alimentares regionais e o risco de carências nutricionais advindas do padrão alimentar local, à época de sua publicação em 1946. O banner atraiu o público visitante pela atualidade da obra de Josué de Castro, em especial, nesse cenário de risco, mais recentemente, de retorno do país ao mapa da fome produzido pela Organização das Nações Unidas (ONU).

Acredita-se que, como um todo, a intervenção do INJC nas atividades no contexto da greve tenha contribuído como exercício de cidadania e compromisso na defesa da educação pública de qualidade e comprometida com as causas sociais.

 

 

Imagens de algumas das atividades

Atividades do INJC na Praça XV

  • “Alimentação saudável para todos sem mistério: o que você sabe?”
  • A entrada e a permanência na universidade pública:
    Uma conversa com alunos do INJC
  • Comer-alimentar-nutrir na Praça XV
  • Ações de extensão do INJC na Praça XV
  • Bistro café ciência
  • Projeto Pirapoca Gastronomia, cultura e memoria
  • Projeto de extensão Memorial Josué de Castro:
    Exposição de Banners.
  • Laboratório Culinário de Manguinhos: Sal de ervas

A Roda de Conversa

Na roda de conversa promovida pelo INJC, se discutiram vários temas de relevância no contexto da greve.  O papel social da Universidade foi colocado pelos/as docentes e estudantes oradores, assim como também foram mencionadas interessantes iniciativas do instituto. A roda contou com significativa participação discente. Compartilhamos aqui algumas das falas.

 

Apresentação. Diretora INJC. Avany P. Fernandes. Sobre os cortes e seus efeitos nas Universidades Federais

 

Profa. Rosana Salles da Costa. Insegurança Alimentar, Fome, Políticas sociais e estudantis

 

Prof. Ivan Bursztyn. Gastronomia, Agroecologia, Formação do Gastrônomo

 

Profa. Elisa Lacerda. Estudo ENANI (mais informações clique aqui)

Profa. Verônica O. Figueiredo. LANUTRI, Ciência e Extensão Universitária

 

Profa. Maria Cláudia S. Carvalho. Importância da Educação e da Universidade na articulação com à comunidade

 

Estudante de Gastronomia. Formação Crítica e Defesa da Universidade

 

Em seguida houve aulas e palestras sobre questões envolvidas nas pautas de luta. Entre diversos temas, discutiu-se a reforma da previdência e sua relação com os cortes na educação. Nas palestras, professores e autoridades da UFRJ compartilharam seus pontos de vista reunindo manifestantes e o público geral que passava pelo local.

A partir das 15 horas docentes, funcionários e estudantes do INJC presentes se uniram à passeata de defesa a educação que se congregou na Igreja Nossa Senhora da Candelária em direção à Central do Brasil.

Conforme fontes jornalísticas, na cidade do Rio de Janeiro, a jornada de greve reuniu a mais de 200 mil cidadãs/os preocupadas/os com os efeitos dos cortes anunciados pelo atual governo. Em São Paulo as pessoas mobilizadas foram mais de 2500 mil. No nível nacional, estima-se que as manifestações foram em 210 cidades – entre as mais importantes São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Salvador, Porto Alegre, Brasília, Curitiba, Fortaleza – e somaram mais de 2 milhões de brasileiros e brasileiras sensibilizadas com os efeitos negativos do projeto de desmonte dos serviços públicos do atual governo e suas consequências para o exercício dos direitos fundamentais como trabalho, aposentadoria, saúde e educação.

O CONTEXTO DA GREVE EM DEFESA DA EDUCAÇÃO

A Greve em Defensa da Educação foi convocada por diversos setores e organizações comprometidas com a defesa de um modelo educacional equitativo, de qualidade, público e gratuito. A iniciativa surgiu após os anúncios do atual Ministro da Educação, Abraham Weintraub, sobre os “contingenciamentos” de 30% das verbas discricionárias para as instituições públicas de ensino superior a partir do decreto 9.741. Este Decreto, “contingenciou” R$ 29,582 bilhões do Orçamento Federal de 2019, provocando uma diminuição de R$ 5,839 bilhões na pasta do MEC, cerca de 25% do previsto. Apesar de, tecnicamente, “contingenciamento” e “corte” serem termos diferentes, na prática, eles acabam significando o mesmo em um ano como 2019 que se prevê uma baixa na arrecadação fiscal. De fato, do orçamento previsto pelo MEC (R$ 149,74 bilhões), só foram executados R$ 38,35 bilhões, o que representa um 3,39% dos gastos públicos (mais informações Portal da Transparência).

A Defesa da Educação no Rio de Janeiro

Redação: Valentina C. Weihmuller, Maria Cláudia S. Carvalho e Elizabeth Accioly
Colaboração: Direção INJC e Renato Monteiro
Fotos: Defesa da Educação. Praça XV, 15, maio, 2019. Acervo INJC.
Fonte do Vídeo: TV247. 15/05/2019
Edição: Comunicação e mídias. INJC